Em Céline, o segredo íntimo de cada ser está nessa humidade viscosa e agoniada, nessa baba intestina, nessa espuma aviltante das tripas e mucosas — o nuclear é o excremencial (…) O universo de Céline é um inferno visceral. — É aqui que eu entendo melhor a repugnância liminar que me suscita uma escrita que é feita de roncos, perdigotos e metáforas viscosas.
"O judeu não explica tudo, mas ele catalisa toda nossa decadência, toda
nossa servidão… Ele só se explica – seu poder fantástico, sua tirania
assustadora, pelo seu ocultismo diabólico… O judeu não é tudo, mas ele é
o Diabo e isto é o bastante – o Diabo não cria todos os vícios, mas ele
é capaz de engendrar um mundo inteiramente, totalmente vicioso… Deus
sabe como o branco está podre!… Mas o judeu soube ganhar esta podridão
em seu favor, explorá-la, exaltá-la, catalisá-la, estandardizá-la como
ninguém. Racismo! Racismo! Racismo! Todo o resto é imbecil – falo
enquanto médico. Equidade? Justiça? Que casuísticas doentes e
desastrosas – Elas contarão sempre contra nós! Esta é a regra do jogo.
Desorganizados contra ferozmente organizados – Larvas contra formigas –
Liberais contra racistas! Você não tem mais o instinto da perfeição
física, do lirismo estético branco – Todo o “que” da coisa – Os livros o
mataram – o sentido da vida branca – E, no entanto, você sabe como os
judeus com o cinema apresentam esta terrível eliminação…"
“Escolhi-a (Lucette Almanzor) para que recolhesse minha alma depois de minha morte”
"É preciso recomeçar tudo da infância, pela infância, para todas as
crianças… O desejo que toda a família seja bela, sã, vivaz, ariana,
pura, redentora, resplandecente de beleza, de força, não somente sua
pequena família, seus dois, três, quatro fedelhos, mas toda a família
francesa, o judeu pelos ares, bem entendido, virado para suas
Palestinas, ao Diabo, na lua."
“Fiquei surpreso e um pouco doído ao ver que nem Bagatelles nem L’École figuravam na livraria, enquanto se favorece a um enxame de peixes pequenos, abortos laçados à ultima hora, cabelos na sopa”
“Para recriar a França, seria preciso reconstruí-la inteiramente sobre
bases racistas comunitárias. Nós nos afastamos todos os dias deste
ideal, deste fantástico projeto (…). Os gauleses (…) estão amarrados ao
cú dos judeus”
“Tenho constantemente a morte a meu lado”, e dizendo isso ele parece
apontar o dedo para um cãozinho que estivesse deitado ao lado de sua
poltrona.
“Se os bolcheviques estivessem em Paris eles fariam vocês verem como se
lida com isso; eles mostrariam a vocês como se depura a população,
quarteirão por quarteirão, casa por casa. Se eu carregasse a baioneta,
eu saberia o que fazer.”
“O inimigo ocupa todos os postos, todas as trincheiras, todos os
desfiles – todas as inteligências… Todos os bancos… Estamos a
descoberto, sob suspeita, pouco numerosos, divididos, amanhã talvez
desarmados…”
“Curioso ver como seres capazes de exigir de sangue frio a cabeça de milhões de homens se inquietam com sua vidinha suja”
“o artigo 75 no cú… Esse deus de pacotilha me gela o saco. Vacilo… Me
acovardo… me confundo… não digo tudo… Ah! ah! Nem de longe”
“Absolutamente nada, nada. Só tenho uma vontade, dormir e não ser chateado.”
sexta-feira, 20 de setembro de 2013
quinta-feira, 12 de setembro de 2013
semissanguessugas
Ao ler o Portrait d’un antisémite,
de Jean-Paul Sartre, Céline viu-se tomado pela fúria e jurou “dar cabo
desse aborto" do Sartre. Chamou o filósofo de “enfermidade epileptóide e
porcaria”, que estaria “a precisar de um pontapé no rabo, de uma
bordoada”. Gostaria de “partir-lhe o focinho, de o deixar sem ponta por
onde se lhe pegasse”. Quis publicar sua resposta, A l’agité du bocal, que constitui, do começo ao fim, uma enfiada obscena de palavrões. Céline começa chamando o filósofo de Jean-Baptiste Sartre, tratando-o de parasita que se alojou em seu ânus (Céline parece fixado na fase sádico-anal) e abusando de metáforas escatológicas:
"Agarrados ao cú… cagarolas,
semissanguessugas, semitênias… verme retal, embrião… o merdas… olho do
cú infecto!… merdoso, empanturrado de merda, sais do rego do cú… Ânus de
Caim, cestóides!… No meu cú, que é onde ele está… crosta de meu cú
genial… escuridão do meu ânus… A merda seca do meu cú… olhos de feto…
Tênia… Embrião… Tênia dos cagalhões, falso girino… Tênia trocista e
filosófica… Monstro saído das merdas…"
Jean Paulhan recusou publicar esse
panfleto estúpido, ordinário, que acabou saindo numa edição quase
clandestina, numa tiragem de 200 exemplares, patrocinada pelos
adoradores de Céline. Mais tarde, em D’un château à l’autre, Céline dedicou a Sartre mais algumas linhas de ódio: “Agente Tartre! Criptógrafo de merda! Especulador piolhento!”.sábado, 7 de setembro de 2013
Quando o Mundo Transformar sua Alma eu Mudarei meu Estilo
Querido Mestre,Os críticos de uma forma geral estão mostrando a prova de uma parcialidade nojenta em relação ao meu novo livro. Eles pretendem me fazer pagar caro pelo sucesso de Viagem (conseguido em grande parte graças a vocês). Eles tentarão de tudo para me fazer passar por conspirador, palhaço, excêntrico lunático e por ultimo, não menos importante, e muitos mais a sério, um tedioso!... Nada está faltando! Eles nem ao menos me leram. O ataque é completo! A intenção é deliberadamente me insultar, tanto quanto possível. Sem qualquer princípio moral ou integridade artística.
Claro que tudo isto é típico. Não importa qual arte, a taxa de formas fracassadas tem a proporção de 999 para 1000, os sucessos que permanecem provocam a revolução, um dilúvio de ódio. Muito bem. No entanto, me entristeceria enormemente se essa onda biliosa o impedisse de, ao menos, me ler. Eu sinceramente me dediquei a este trabalho, ardorosamente, uma grande oferta como a questão dos fatos.
Eu passei os últimos quatro anos nisto, dia e noite, além do meu miserável trabalho na clínica (1.500 francos por mês). Eu não sou rico, tenho uma filha e uma mãe para cuidar. Viagem me trouxe uma renda mensal de 1.200 francos por mês. Eu menciono essas somas porque elas explicam como as coisas estão no presente. Por Morte à Crédito eu literalmente trabalhei para a morte. Fiz meu melhor. Se aqueles que se permitem de uma forma tão covarde, com a impunidade de me envergonhar, possuíssem um décimo de minha integridade e aplicação, o mundo se tornaria um antro edênico e eu admito que minha literatura se mostraria injustificável. Este não é o caso. Há também o ressentimento, orgulhosamente sentido, acredito eu, contra minha quebra do estilo acadêmico sagrado tradicional. Eu escrevo uma espécie de fala, prosa transposta. Este estilo tem suas regras e leis, igualmente terríveis, como você bem sabe. Deixe que os outros tentem. Eles verão. Eu sucumbi o trabalho depois de mim, mas isso existe. Outra coisa, eu sou censurado por não ser Latino, clássico, meridional (características bem definidas... elegância, temperança... graça... etc.). Sou muito capaz de apreciar as diversas belezas de gênero, porém eu sou totalmente incapaz de me submeter a eles... Não sou Meridional. Sou parisiense, Bretão, e de ascendência flamenga. Escrevo como sinto. Sou censurado por ser sujo, por falar cruelmente. Se esse é o caso, então Rabelais, Villon, Brughel e tantos outros, deveriam ser acusados. Nem tudo vem da Renascença. Eu sou censurado por ser sistematicamente cruel. Somente quando o mundo mudar sua alma eu mudarei meu estilo. De onde é que subitamente esses puristas saem? Eu não os vejo protestar contra os filmes de gangsters! Contra a Detective Magazine! Contra tanta pornografia que é, em si, indesculpável. Esses puristas também são covardes! Eles não arriscam, especialmente permanecem anônimos, cuspem seu veneno em cima de um escritor solitário, arriscam muito mais contra os formidáveis interesses do Cinema ou de Hachette. Eles são os lambe-pé ou defensores ferozes da moral, dependendo do tamanho de sua tarefa.
Seguramente, eu nunca fui para a escola. Eu estudei para o meu bacharelado e meu diploma de médico enquanto trabalhava para ganhar a vida. Aprende-se muito desta forma. E parece que não vou ser facilmente perdoado por isso. Após tudo, eu sou um médico de periferia.
Médicos são desprezados, junto com sua experiência. Ao escrever esses tipos de livros, neste estilo que você conhece, eu corro o risco de ser descartado em qualquer lugar, e perder o trabalho. Eu não produzo literatura sedada.
Finalmente, eu sou censurado por algo que chamam de confusão... Acho que é pouco provável o contrário. Eu escrevo na fórmula dos sonhos acordados... Ah! quão feliz você me faria se você reservasse um artigo para mim, mas não para me elogiar (este pedido não seria digno), mas para definir claramente, pois só você pode, o que não é e o que o é no meu livro.
Eu estarei em dívida com você, meu querido amigo.
Sinceramente e amigavelmente o seu,
(L.-F. Céline)
(1933)
sábado, 24 de agosto de 2013
Excerto de "Progrès"
Provavelmente escrito em Maio de 1927, Progrès é a segunda (e última) peça de teatro escrita por Céline. A peça foi elaborada logo depois de sua outra peça, "L'Église". Céline enviou o manuscrito para a Gallimard, qual recusou, em outubro do mesmo ano. As edições Mercure de France publicou a peça em 1978 e em seguida foi incluída no Cahier 8: Progrès, suivi de Oeuvres pour la scène et l’écran (Ed. Gallimard, 1988). O primeiro nome da peça foi Périclès, subtitulado ""Farce en trois tableaux et petits divertissements". Esta peça apresenta evidentes imperfeições, mas possui o mérito de ter muitos pontos em comum com Morte à crédito.
Progrès
Personagens:
Marie: Ela não é bonita, é gentil, possui um ligeiro coxear, é bem humorada, ainda lúcida. Vinte e seis anos de idade.
Madame Punais: Mãe de Marie, cinquenta anos de idade, sobriamente vestida, não triste, previamente uma retalhista de vestidos para senhoras, ela leva uma boa vida como comerciante de antiguidades.
Gaston: Trinta anos de idade, marido de Marie, irritável e inseguro, apaixonado e emocional, empregado em um escritório de seguros.
Mme. Doumergue: Muito, muito velha, ela dá aulas de piano, e é também manicure.
Criada: Uma típica empregada doméstica, parcialmente Breton.
Homem do Gás: Um típico trabalhador de empresas de gás.
Ato Primeiro:
As personagens estão vestidas de um modo um tanto fantástico, embora não excessivamente, d'uma forma colorida, divertida, de um jeito simbólico parecido a um sonho, embora também não tão excessivamente-iluminado como num sonho, exceto em certos momentos específicos.
Primeira cena - Marie está num lounge, muito luxuoso. No palco: Marie e Madame Punais. Marie está tocando o piano com dificuldade, um fox-trot que ela tenta tornar efervescente e cínico. Ela está achando difícil, muito difícil. Sua mãe assiste e ouve. Mas Marie fica um pouco iritada e se levanta para fechar a janela. No momento em que vai fechar a janela nós percebemos que ela tem um coxo. Enquanto Madame Punais vê o andar molenga de sua filha, observa Marie ainda mais de perto, mas não diz nada. Marie volta ao piano e toca, sua mãe sai de cena por um momento então volta e remoceça a ler o jornal.
Mme. PUNAIS: Honestamente, Marie!... apenas ouça isto!... (Marie continua tocando o piano) Marie! Eu digo!... você acreditaria?
MARIE: (um pouco impaciente) Mãe!...
Mme. PUNAIS: Você acredita nisto? Escute!...
Marie: (ainda tocando) O que?
Mme. PUNAIS: Honestamente, o Bois de Boulogne!...
Marie: O que é isso de Bois de Boulogne?
Mme. PUNAIS: Bem, maníacos sexuais...
Marie (não impressionada): Aah!...
Mme. PUNAIS: Bem, abençoe-me, você ainda acha que não há nada de errado com isso! Está acontecendo há 4 anos... eles dizem que vão pra lá em grupo, e de carro.
Marie: Oh Mãe!
Mme. PUNAIS: Oh! Jovem moça!
Marie: Que?
Mme. PUNAIS: Vá é tocar piano, já... eu sou a única que lhe deu isto.
Marie: Eu já lhe agradeci por isso.
Mme. PUNAIS: Oh, não direi que paguei muito por ele, você sabe melhor que eu... Nos últimos 15 anos esteve na loja... é a única coisa que não foi vendida em 15 anos.
Marie: Ah, ele esteve no lugar errado, cercado por bugigangas - se você o tivesse colocado perto da janela, como eu costumava dizer-lhe, teria sido levado embora, mas foi escondido por toda essa tralha invendável, você não poderia vê-lo lá de fora, também.
Mme. PUNAIS: Enfim, você herdou, não se queixe... você quer ter aulas novamentes, eu fico feliz em pagar por elas... pelo piano... agora deixa isso pra lá e dê as cartas.
Marie (passando-as): Você lerá as suas?
Mme. PUNAIS (dividindo-as): Não! Eu vou ler as suas, você parece ansiosa.
Marie (sem prestar muita atenção nas cartas): Quem te deu a ideia de me dar aulas?
Mme. PUNAIS: Madame Doumergue...
Marie: Velha Mãe Doumergue?
Mme. PUNAIS: Sim!... Vamos, você certamente se lembra dela.
Marie: Claro, mas pensei que ela estava morta - você lembra, ela subia as escadas assim... Ah!... Ah!... (ela fica ofegante)
Mme. PUNAIS: Ela ainda sobe assim! ah! ah!
Marie: Você tem certeza que é ela?
Mme. PUNAIS: Claro que tenho, ela ainda dá as mesmas aulas.
Marie: Ela deve ser centenária, então!
Mme. PUNAIS: Eu vou perguntar a ela.
Marie: Você foi onde ela mora?
Mme. PUNAIS: Sim, em Asniéres, ela ainda tem sua casinha com treliças trabalhadas no primeiro andar e um jardim com pequenas bolas suspendidas, que ainda são ligeiramente brilhantes. Ver isso não me faz sentir mais jovem, posso lhe dizer, especialmente as bolinhas! Isso me faz lembrar que seu pai costumava circular com uma lambreta ao longo do aterro de Asniéres, com uma camisa solta e uma gravata fina com bolotas fantásticas desenhadas na parte que cobre o umbigo. Suas panturrilhas eram soberbas. Essa moda ainda voltará, você verá homens com gravatas finas, mas não da forma fantasiosa, não se verá homens jovens em forma fantasiosa, a moda nunca mais será fantasiosa, eu acho porque nos vendemos muito aos créditos, e é isso que faz as pessoas ficarem tristes, elas todas têm dívidas. No meu tempo só artistas tinham dívidas, mas por eles se recusarem a pagar essas dívidas, nunca ficaram tristes.
Marie: Então o que Madame Doumergue lhe disse?
Mme. PUNAIS: Que estava muito feliz em ver-me, mas, como cheira sua casa! Você não acreditaria! Eu não estou interessada no passado quando ele fede tanto quanto isso! De qualquer forma, você não irá lá, ela virá aqui.
Marie: Mas mãe, você matará ela, fazendo-a viajar naquela idade!
Mme. PUNAIS: Não, ela me disse que prefere vir aqui, no verão, ela pegaria o barco desde Saint-Cloud e voltaria de bonde elétrico.
Marie: De barco ela estaria bem - mas na sua idade, de bonde?... Você tem certeza que estamos falando da mesma pessoa?
Mme. PUNAIS: De fato estamos! Além de tudo, nós não mudamos nada!...
Marie: O que fez você pensar em entrar em contato com ela, em particular?
Mme. PUNAIS: Ela me deve dinheiro, o mesmo que ela me deve de 20 anos atrás. Ela está na categoria dos artistas. Quando se trata de dívidas ela não paga e isso não a desconforta.
Marie: Quanto ela te deve?
Mme. PUNAIS: É segredo.
Marie: OH!
Mme. PUNAIS: Sim.
Marie: OH!
Mme. PUNAIS: Isso foi após nossa formatura, você acabava de se tornar noiva de Gaston La Garenne, seu marido (silêncio)... evitando assim o casamento com Jean Bart, que era perfeito.
Marie: Sim, mamãe.
Mme. PUNAIS (resignada): Não vamos voltar a isso agora... Eu realmente gosto de Gaston, também.
Marie: Ainda melhor.
Mme. PUNAIS: Foi nesse momento que você parou com o piano, a fim de ficar noiva de Gaston, e não se casar com Jean Bart, 13 anos atrás.
Marie: TREZE ANOS ATRÁS!
Mme. PUNAIS: Treze.
Marie: E então...?
E. Doméstica: Sou eu de novo!
Mme. PUNAIS: Venha!
Marie: Vá embora!
Mme. PUNAIS: Nãe se mova, posso dizer que você tem algo a contar.
Doméstica: É a cera-polaca!
Marie: Muito bem, então!
Mme. PUNAIS: Vá-te!
Doméstica (enquanto sai): Que seja!
Mme. PUNAIS: Aqui. (lendo as cartas) oh!... Marie!... um pequeno problema... outra vez... eu vejo... pequenos problemas... muitos deles...
Marie: Isso soa como se tivesse algumas novidades para mim!
Mme. PUNAIS: Ah! Problemas de saúde!... mas nada para se preocupar, são constipações...
Marie: Quanto ela irá te cobrar pelas aulas de piano?
Mme. PUNAIS (lendo as cartas): Eu sempre posso ver a Saúde, você sabe.... É Saúde.
Marie: Oh! Eu não sei nada sobre isso! Diga-me então se ela ainda toca piano com sua idade, você escutou ela tocar?
Mme. PUNAIS: Mas ela sempre foi uma artista, essa mulher, ela tocava e cantava singularmente, há trinta e cinco anos atrás ela ainda tinha bons ombros, seu pai falava dela muitas vezes para não acabar dormindo com ela.
Marie: Oh! Mãe!
Mme. PUNAIS: Sua mãe sabe que foi traída, isso me deixava triste à toda hora, ainda mais triste é ser viúva.
Marie: Então, mãe, você conhece M. Doumergue há muito tempo?
Mme. PUNAIS: Eu a conheço de dentro para fora. Não apenas por ela ter sido amante de seu pai, mas também nunca pagou pela pequena penteadeira Luís XV, uma pequena joia, que comprou de mim. Eu nunca vou esquecer aquele dia antes do Dia de Todos os Santos, no ano de 1900. Ela comprou, 120 francos. Oh! Pode-se dizer com segurança que ela não está preocupada com a dívida, de vez em quando eu vou lá lembrá-la, e ela diz: "Oh! Madame Punais, nós nos conhecemos há muito tempo, agora, venha agora! Não falaremos disso outra vez!" Eu não consigo nada mais com ela. É verdade, nos conhecemos há muito tempo! De qualquer maneira, ela ainda tem, aquela minha penteadeira, a original. Eu vendo cópias dela, desde então. A preços altíssimos! Mas ela tem a original, e nunca pagou por ela. (lê as cartas) Veja: Problemas. (Nós ouvimos alguém tocando piano no apartamento vizinho).
Marie: Você pode ouvir mesmo através do concreto armado, nós podemos ouvir tudo... Não sinto mais a casa. E é o mesmo com todas as novas-casas.
Mme. PUNAIS: Ele toca bem, não é? Ele coloca coração nisso... talvez esteja tocando para você...
Marie: Para mim?
Mme. PUNAIS: Você não acha?
Marie: Eu não sei mãe, porque ele tocaria para mim? É nosso vizinho!
Mme. PUNAIS: Oh... afinal toca bem, ele não é professor?
Marie: Não, é funcionário público.
Mme. PUNAIS: Ah! Ah! Bem, vocês poderiam, talvez, tocar à quatro mãos, vocês dois.
Marie: Quatro mãos? Mas pela Graça de Deus, Mãe, um homem já me basta. O que você espera?
Mme. PUNAIS: Oh, eu, você sabe! Enfim, você quer agradá-lo ao mesmo tempo que não quer que ele seja ciumento. É difícil agradar um homem que já não é ciumento. - agora, você vê nas cartas.. um pequeno problema... Ah!, Sim... certamente há!
Marie: Você está obcecada com isso! (A doméstica entra na sala).
Mme. PUNAIS (para a doméstica) : É uma senhora? (a doméstica balança a cabeça) Então vá se arrumar minha garota, é um cavalheiro.
Marie: Mas porque mãe?
Mme. PUNAIS: Oh, vá se ajeitar minha filha. Como você é irritante!
Marie: Mas porque?
Mme. PUNAIS: Oh! Vá! (Entra Monsieur Berlureau, muito reservado e pouco à vontade)
M. Berlureau: Madame... Tomei a liberdade de visitar-lhe... uma pequena visita, sou Berlureau.
Mme. PUNAIS: Muito prazer em recebê-lo, senhor.
M. Berlureau: Sou seu vizinho.
Mme. PUNAIS: Oh! Você toca tão bem! Você veio pela minha filha. Você a conhece?
M. Berlureau: Eu não a conheço, Madame, mas me desculpo por tocar, talvez já um pouco tarde da noite... nossas paredes são tão finas que talvez pode-se perturbar alguém sem estar ciente disso, então tomei a liberdade de perguntar, sou Berlureau.
Mme. PUNAIS: Mas como você toca bem o piano!
M. Berlureau: Oh, Madame, eu só me aventuro.
Mme. PUNAIS: Você não conhece ela. Ela ficará feliz. Ela sempre me diz: "Quão bem toca piano nosso vizinho!"
M. Berlureau: Oh, Madame, estou envergonhado, vou-me embora!
Mme. PUNAIS: Definitivamente não, senhor, é fato! Sua execução nos leva a um sonho.
M. Berlureau: É uma correspondência espiritual.
Mme. PUNAIS: É isso! Você conhece meu genro, também?
M. Berlureau: Não, Madame, eu não tive o prazer ainda, mas você sabe, eu só vim pedir desculpas por tocar tão tarde, às vezes.
Mme. PUNAIS: Oh! É estranho. Eu sempre tenho a impressão de que todo mundo conhece ele ... minha filha quer agradá-lo, ela tenta iluminar o quarto com o piano ... isso é uma idéia ...
M. BERLUREAU: Sim, isso é uma idéia ... (Gaston entra).
GASTON: Olá, Madame.
Mme. PUNAIS: Olá, Gaston. (Berlureau está envergonhado).
Mme. PUNAIS: Ele é o nosso vizinho, ele veio para nos dar uma breve visita e eu tive o prazer de me familiarizar com ele, ele é o pianista que ouvimos, você sabe.
GASTON: Que ouvimos com muito prazer.
Mme. PUNAIS: Bem! Ele veio para se certificar de que não nos perturba quando ele ocasionalmente toca à noite.
GASTON: Oh! Certamente que não, a sério, senhor, pelo contrário, é um verdadeiro prazer.
Mme. PUNAIS: Por que teríamos que pagar um tanto em outro lugar, mas eu vou pedir-lhe para vir e nos ver mais vezes Monsieur - você estaria disposto a tocar música com a minha filha?
GASTON: Oh! Madame! Isso é pedir muito, Marie está aprendendo.
Mme. PUNAIS: Não, eu acho que seria adorável.
[e, desgraçadamente, o piano continua ...]
Progrès
Personagens:
Marie: Ela não é bonita, é gentil, possui um ligeiro coxear, é bem humorada, ainda lúcida. Vinte e seis anos de idade.
Madame Punais: Mãe de Marie, cinquenta anos de idade, sobriamente vestida, não triste, previamente uma retalhista de vestidos para senhoras, ela leva uma boa vida como comerciante de antiguidades.
Gaston: Trinta anos de idade, marido de Marie, irritável e inseguro, apaixonado e emocional, empregado em um escritório de seguros.
Mme. Doumergue: Muito, muito velha, ela dá aulas de piano, e é também manicure.
Criada: Uma típica empregada doméstica, parcialmente Breton.
Homem do Gás: Um típico trabalhador de empresas de gás.
Ato Primeiro:
As personagens estão vestidas de um modo um tanto fantástico, embora não excessivamente, d'uma forma colorida, divertida, de um jeito simbólico parecido a um sonho, embora também não tão excessivamente-iluminado como num sonho, exceto em certos momentos específicos.
Primeira cena - Marie está num lounge, muito luxuoso. No palco: Marie e Madame Punais. Marie está tocando o piano com dificuldade, um fox-trot que ela tenta tornar efervescente e cínico. Ela está achando difícil, muito difícil. Sua mãe assiste e ouve. Mas Marie fica um pouco iritada e se levanta para fechar a janela. No momento em que vai fechar a janela nós percebemos que ela tem um coxo. Enquanto Madame Punais vê o andar molenga de sua filha, observa Marie ainda mais de perto, mas não diz nada. Marie volta ao piano e toca, sua mãe sai de cena por um momento então volta e remoceça a ler o jornal.
Mme. PUNAIS: Honestamente, Marie!... apenas ouça isto!... (Marie continua tocando o piano) Marie! Eu digo!... você acreditaria?
MARIE: (um pouco impaciente) Mãe!...
Mme. PUNAIS: Você acredita nisto? Escute!...
Marie: (ainda tocando) O que?
Mme. PUNAIS: Honestamente, o Bois de Boulogne!...
Marie: O que é isso de Bois de Boulogne?
Mme. PUNAIS: Bem, maníacos sexuais...
Marie (não impressionada): Aah!...
Mme. PUNAIS: Bem, abençoe-me, você ainda acha que não há nada de errado com isso! Está acontecendo há 4 anos... eles dizem que vão pra lá em grupo, e de carro.
Marie: Oh Mãe!
Mme. PUNAIS: Oh! Jovem moça!
Marie: Que?
Mme. PUNAIS: Vá é tocar piano, já... eu sou a única que lhe deu isto.
Marie: Eu já lhe agradeci por isso.
Mme. PUNAIS: Oh, não direi que paguei muito por ele, você sabe melhor que eu... Nos últimos 15 anos esteve na loja... é a única coisa que não foi vendida em 15 anos.
Marie: Ah, ele esteve no lugar errado, cercado por bugigangas - se você o tivesse colocado perto da janela, como eu costumava dizer-lhe, teria sido levado embora, mas foi escondido por toda essa tralha invendável, você não poderia vê-lo lá de fora, também.
Mme. PUNAIS: Enfim, você herdou, não se queixe... você quer ter aulas novamentes, eu fico feliz em pagar por elas... pelo piano... agora deixa isso pra lá e dê as cartas.
Marie (passando-as): Você lerá as suas?
Mme. PUNAIS (dividindo-as): Não! Eu vou ler as suas, você parece ansiosa.
Marie (sem prestar muita atenção nas cartas): Quem te deu a ideia de me dar aulas?
Mme. PUNAIS: Madame Doumergue...
Marie: Velha Mãe Doumergue?
Mme. PUNAIS: Sim!... Vamos, você certamente se lembra dela.
Marie: Claro, mas pensei que ela estava morta - você lembra, ela subia as escadas assim... Ah!... Ah!... (ela fica ofegante)
Mme. PUNAIS: Ela ainda sobe assim! ah! ah!
Marie: Você tem certeza que é ela?
Mme. PUNAIS: Claro que tenho, ela ainda dá as mesmas aulas.
Marie: Ela deve ser centenária, então!
Mme. PUNAIS: Eu vou perguntar a ela.
Marie: Você foi onde ela mora?
Mme. PUNAIS: Sim, em Asniéres, ela ainda tem sua casinha com treliças trabalhadas no primeiro andar e um jardim com pequenas bolas suspendidas, que ainda são ligeiramente brilhantes. Ver isso não me faz sentir mais jovem, posso lhe dizer, especialmente as bolinhas! Isso me faz lembrar que seu pai costumava circular com uma lambreta ao longo do aterro de Asniéres, com uma camisa solta e uma gravata fina com bolotas fantásticas desenhadas na parte que cobre o umbigo. Suas panturrilhas eram soberbas. Essa moda ainda voltará, você verá homens com gravatas finas, mas não da forma fantasiosa, não se verá homens jovens em forma fantasiosa, a moda nunca mais será fantasiosa, eu acho porque nos vendemos muito aos créditos, e é isso que faz as pessoas ficarem tristes, elas todas têm dívidas. No meu tempo só artistas tinham dívidas, mas por eles se recusarem a pagar essas dívidas, nunca ficaram tristes.
Marie: Então o que Madame Doumergue lhe disse?
Mme. PUNAIS: Que estava muito feliz em ver-me, mas, como cheira sua casa! Você não acreditaria! Eu não estou interessada no passado quando ele fede tanto quanto isso! De qualquer forma, você não irá lá, ela virá aqui.
Marie: Mas mãe, você matará ela, fazendo-a viajar naquela idade!
Mme. PUNAIS: Não, ela me disse que prefere vir aqui, no verão, ela pegaria o barco desde Saint-Cloud e voltaria de bonde elétrico.
Marie: De barco ela estaria bem - mas na sua idade, de bonde?... Você tem certeza que estamos falando da mesma pessoa?
Mme. PUNAIS: De fato estamos! Além de tudo, nós não mudamos nada!...
Marie: O que fez você pensar em entrar em contato com ela, em particular?
Mme. PUNAIS: Ela me deve dinheiro, o mesmo que ela me deve de 20 anos atrás. Ela está na categoria dos artistas. Quando se trata de dívidas ela não paga e isso não a desconforta.
Marie: Quanto ela te deve?
Mme. PUNAIS: É segredo.
Marie: OH!
Mme. PUNAIS: Sim.
Marie: OH!
Mme. PUNAIS: Isso foi após nossa formatura, você acabava de se tornar noiva de Gaston La Garenne, seu marido (silêncio)... evitando assim o casamento com Jean Bart, que era perfeito.
Marie: Sim, mamãe.
Mme. PUNAIS (resignada): Não vamos voltar a isso agora... Eu realmente gosto de Gaston, também.
Marie: Ainda melhor.
Mme. PUNAIS: Foi nesse momento que você parou com o piano, a fim de ficar noiva de Gaston, e não se casar com Jean Bart, 13 anos atrás.
Marie: TREZE ANOS ATRÁS!
Mme. PUNAIS: Treze.
Marie: E então...?
E. Doméstica: Sou eu de novo!
Mme. PUNAIS: Venha!
Marie: Vá embora!
Mme. PUNAIS: Nãe se mova, posso dizer que você tem algo a contar.
Doméstica: É a cera-polaca!
Marie: Muito bem, então!
Mme. PUNAIS: Vá-te!
Doméstica (enquanto sai): Que seja!
Mme. PUNAIS: Aqui. (lendo as cartas) oh!... Marie!... um pequeno problema... outra vez... eu vejo... pequenos problemas... muitos deles...
Marie: Isso soa como se tivesse algumas novidades para mim!
Mme. PUNAIS: Ah! Problemas de saúde!... mas nada para se preocupar, são constipações...
Marie: Quanto ela irá te cobrar pelas aulas de piano?
Mme. PUNAIS (lendo as cartas): Eu sempre posso ver a Saúde, você sabe.... É Saúde.
Marie: Oh! Eu não sei nada sobre isso! Diga-me então se ela ainda toca piano com sua idade, você escutou ela tocar?
Mme. PUNAIS: Mas ela sempre foi uma artista, essa mulher, ela tocava e cantava singularmente, há trinta e cinco anos atrás ela ainda tinha bons ombros, seu pai falava dela muitas vezes para não acabar dormindo com ela.
Marie: Oh! Mãe!
Mme. PUNAIS: Sua mãe sabe que foi traída, isso me deixava triste à toda hora, ainda mais triste é ser viúva.
Marie: Então, mãe, você conhece M. Doumergue há muito tempo?
Mme. PUNAIS: Eu a conheço de dentro para fora. Não apenas por ela ter sido amante de seu pai, mas também nunca pagou pela pequena penteadeira Luís XV, uma pequena joia, que comprou de mim. Eu nunca vou esquecer aquele dia antes do Dia de Todos os Santos, no ano de 1900. Ela comprou, 120 francos. Oh! Pode-se dizer com segurança que ela não está preocupada com a dívida, de vez em quando eu vou lá lembrá-la, e ela diz: "Oh! Madame Punais, nós nos conhecemos há muito tempo, agora, venha agora! Não falaremos disso outra vez!" Eu não consigo nada mais com ela. É verdade, nos conhecemos há muito tempo! De qualquer maneira, ela ainda tem, aquela minha penteadeira, a original. Eu vendo cópias dela, desde então. A preços altíssimos! Mas ela tem a original, e nunca pagou por ela. (lê as cartas) Veja: Problemas. (Nós ouvimos alguém tocando piano no apartamento vizinho).
Marie: Você pode ouvir mesmo através do concreto armado, nós podemos ouvir tudo... Não sinto mais a casa. E é o mesmo com todas as novas-casas.
Mme. PUNAIS: Ele toca bem, não é? Ele coloca coração nisso... talvez esteja tocando para você...
Marie: Para mim?
Mme. PUNAIS: Você não acha?
Marie: Eu não sei mãe, porque ele tocaria para mim? É nosso vizinho!
Mme. PUNAIS: Oh... afinal toca bem, ele não é professor?
Marie: Não, é funcionário público.
Mme. PUNAIS: Ah! Ah! Bem, vocês poderiam, talvez, tocar à quatro mãos, vocês dois.
Marie: Quatro mãos? Mas pela Graça de Deus, Mãe, um homem já me basta. O que você espera?
Mme. PUNAIS: Oh, eu, você sabe! Enfim, você quer agradá-lo ao mesmo tempo que não quer que ele seja ciumento. É difícil agradar um homem que já não é ciumento. - agora, você vê nas cartas.. um pequeno problema... Ah!, Sim... certamente há!
Marie: Você está obcecada com isso! (A doméstica entra na sala).
Mme. PUNAIS (para a doméstica) : É uma senhora? (a doméstica balança a cabeça) Então vá se arrumar minha garota, é um cavalheiro.
Marie: Mas porque mãe?
Mme. PUNAIS: Oh, vá se ajeitar minha filha. Como você é irritante!
Marie: Mas porque?
Mme. PUNAIS: Oh! Vá! (Entra Monsieur Berlureau, muito reservado e pouco à vontade)
M. Berlureau: Madame... Tomei a liberdade de visitar-lhe... uma pequena visita, sou Berlureau.
Mme. PUNAIS: Muito prazer em recebê-lo, senhor.
M. Berlureau: Sou seu vizinho.
Mme. PUNAIS: Oh! Você toca tão bem! Você veio pela minha filha. Você a conhece?
M. Berlureau: Eu não a conheço, Madame, mas me desculpo por tocar, talvez já um pouco tarde da noite... nossas paredes são tão finas que talvez pode-se perturbar alguém sem estar ciente disso, então tomei a liberdade de perguntar, sou Berlureau.
Mme. PUNAIS: Mas como você toca bem o piano!
M. Berlureau: Oh, Madame, eu só me aventuro.
Mme. PUNAIS: Você não conhece ela. Ela ficará feliz. Ela sempre me diz: "Quão bem toca piano nosso vizinho!"
M. Berlureau: Oh, Madame, estou envergonhado, vou-me embora!
Mme. PUNAIS: Definitivamente não, senhor, é fato! Sua execução nos leva a um sonho.
M. Berlureau: É uma correspondência espiritual.
Mme. PUNAIS: É isso! Você conhece meu genro, também?
M. Berlureau: Não, Madame, eu não tive o prazer ainda, mas você sabe, eu só vim pedir desculpas por tocar tão tarde, às vezes.
Mme. PUNAIS: Oh! É estranho. Eu sempre tenho a impressão de que todo mundo conhece ele ... minha filha quer agradá-lo, ela tenta iluminar o quarto com o piano ... isso é uma idéia ...
M. BERLUREAU: Sim, isso é uma idéia ... (Gaston entra).
GASTON: Olá, Madame.
Mme. PUNAIS: Olá, Gaston. (Berlureau está envergonhado).
Mme. PUNAIS: Ele é o nosso vizinho, ele veio para nos dar uma breve visita e eu tive o prazer de me familiarizar com ele, ele é o pianista que ouvimos, você sabe.
GASTON: Que ouvimos com muito prazer.
Mme. PUNAIS: Bem! Ele veio para se certificar de que não nos perturba quando ele ocasionalmente toca à noite.
GASTON: Oh! Certamente que não, a sério, senhor, pelo contrário, é um verdadeiro prazer.
Mme. PUNAIS: Por que teríamos que pagar um tanto em outro lugar, mas eu vou pedir-lhe para vir e nos ver mais vezes Monsieur - você estaria disposto a tocar música com a minha filha?
GASTON: Oh! Madame! Isso é pedir muito, Marie está aprendendo.
Mme. PUNAIS: Não, eu acho que seria adorável.
[e, desgraçadamente, o piano continua ...]
quinta-feira, 22 de agosto de 2013
domingo, 14 de julho de 2013
sexta-feira, 19 de abril de 2013
Abujamra - O Grande Absurdo
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