Retorno
1
Encontrarei você, fedendo como um pedaço de carne
numa vil noite
Eu farei dois buracos profundos negros
em sua face
Sua alma miserável irá escapar
pelo ar!
Você verá uma fina multidão lá!
Você verá como nós dançamos!
No Grande Cemitério des Bons Enfants!
Refrão:
Mas aqui está a tia Hortense
e sua pequena Léo!
Aqui está Clementine e o valente Toto!
deveriam nossos amigos anunciar
que a festa acabou?
Para o diabo com o seu jeito!
Se esconda! Fodido do cu!
Não importa para mim
Ó vigaristas! Vocês ladrões!
o vento irá levá-lo longe
como as preocupações e a morte partem!
2
Por um longo tempo agora você se queixará
porque você é um corno!
E eu que sou o punk responsável
pelos seus defeitos!
Então não vá estragar esta ocasião
ao ser aliviada
Venha comigo e sinta o gume de meu punhal
Para as grandes Ruínas de St. Mandé!
3
Todos sabem que você é um podre delator!
Que você fecha acordos de rato para porcos
como Houdini!
Foi assim que Mimile caiu
no cesto da guilhotina
Eu lhe darei um bilhete só de ida para longe daqui
direto em seu lombo!
4
Olhando para você Eu vejo
uma questão que está me devorando
Você será mais imundo
Morto ou Vivo?
E você repulsará os vermes
ainda mais ao solo?
Mas se você for estrangulado na fogueira
Então eu enfrentarei Mimile!
no Grande Cemitério des Bons Enfants!
(da "versão definitiva", 1956)
Katika (primeira possibilidade)
Eu amo Katika, a prostituta
Ela que não ama a manhã
Nem meu coração fiel, nem minhas rosas
no alvorecer cinzento e derramado.
Quando Katika se tornar corcunda
pelo fato de vender seu cu
Nós iremos às cidadelas para ver
o sino três vezes maior que ela
Que alguém toca toda a manhã
Para acordar as putas
Da Irlanda para os Dardanelles.
Grande Batalha, Parcos Espólios.
Katika (segunda possibilidade)
Eu amo Katika, a prostituta
Ela que não ama a manhã
Nem meu coração fiel ou minhas rosas
no alvorecer cinzento que precede a tempestade.
Quando Katika se tornar corcunda
pelo fato de vender seu cu
Nós iremos às cidadelas para ver
mendigos três vezes maiores que ela
Que nós repeliremos aos berros todas as manhãs
Para acordar as putas
Da Irlanda para os Dardanelles.
Grande Batalha, Pequena Recompensa.
(ambos os poemas são de um fac-simíle de um texto enviado para Henri Mahé, 1936)
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sábado, 16 de março de 2013
terça-feira, 12 de fevereiro de 2013
Poemas de Céline
Gnomographia
Istambul dorme sob a lua pálida
O Bósforo cintila com mil chamas prateadas
Sozinho na grande cidade Maometana
O velho pregoeiro ainda não dormiu -
Sua voz repercute e é amplificada pelo eco
Anunciando para a cidade que já são 10 horas
Mas através da janela, do alto de seu minarete
Seu olhar inquieto mergulha num quarto
Por um momento permanece, em silêncio, preso pela surpresa
Ele acaricia nervoso a sua grande barba cinza
Mas, fiel ao dever, ele equilibra a voz
E então o eco atônito se repete três vezes
Para a lua enrubescida, para as estrelas deslumbrantes
Para Istambul - A Branca - em breve será meio-dia.
Ngobonbong,
Augusto 28, 1916.
O grande Carvalho
Mas já, lentamente, o céu está caindo.
Os raios ocidentais, perseguidos pela noite
Lutam contra a escuridão, e resistem novamente
Velando o recuo do sol que foge
Acima da rocha negra que encobre a floresta
Como o orvalho que ainda mantém a luz decrescente
Enquanto isso, pouco a pouco, a sombra levanta e leva embora
E mergulha, por sua vez, no Todo perturbado
Cada hora de nossa vida traz sua sombra
Afugentando a esperança, que nunca irá retornar
As ilusões perdidas, a amargura crescente
Invade nosso coração, destruindo-o e matando-o -
Bikobimbo,
Augusto 30, 1916.
O Presidente Vincent Auriol
Hey, veja o Presidente
Este é um destino muito trágico
Ele é bem pago, ele vive no Palácio do Presidente
Ele começou sua Carreira numa campanha feroz
Contra a Pena de Morte.
Ele era um Anarquista
E agora ele é Presidente
Nenhum Presidente assinou tantos perdões.
Há fantasmas que rondam o Palácio, lhe asseguro
Arrastando seus postos de Execução
E a retórica do Presidente.
Imaginem acabar assim!
Ele não pode fazer nada sobre isso, é assim que é...
Este é o Destino
Esses são os desafios
Ele é um homem corajoso
Ele deve assinar
Ou morrer.
1949.
Istambul dorme sob a lua pálida
O Bósforo cintila com mil chamas prateadas
Sozinho na grande cidade Maometana
O velho pregoeiro ainda não dormiu -
Sua voz repercute e é amplificada pelo eco
Anunciando para a cidade que já são 10 horas
Mas através da janela, do alto de seu minarete
Seu olhar inquieto mergulha num quarto
Por um momento permanece, em silêncio, preso pela surpresa
Ele acaricia nervoso a sua grande barba cinza
Mas, fiel ao dever, ele equilibra a voz
E então o eco atônito se repete três vezes
Para a lua enrubescida, para as estrelas deslumbrantes
Para Istambul - A Branca - em breve será meio-dia.
Ngobonbong,
Augusto 28, 1916.
O grande Carvalho
Mas já, lentamente, o céu está caindo.
Os raios ocidentais, perseguidos pela noite
Lutam contra a escuridão, e resistem novamente
Velando o recuo do sol que foge
Acima da rocha negra que encobre a floresta
Como o orvalho que ainda mantém a luz decrescente
Enquanto isso, pouco a pouco, a sombra levanta e leva embora
E mergulha, por sua vez, no Todo perturbado
Cada hora de nossa vida traz sua sombra
Afugentando a esperança, que nunca irá retornar
As ilusões perdidas, a amargura crescente
Invade nosso coração, destruindo-o e matando-o -
Bikobimbo,
Augusto 30, 1916.
O Presidente Vincent Auriol
Hey, veja o Presidente
Este é um destino muito trágico
Ele é bem pago, ele vive no Palácio do Presidente
Ele começou sua Carreira numa campanha feroz
Contra a Pena de Morte.
Ele era um Anarquista
E agora ele é Presidente
Nenhum Presidente assinou tantos perdões.
Há fantasmas que rondam o Palácio, lhe asseguro
Arrastando seus postos de Execução
E a retórica do Presidente.
Imaginem acabar assim!
Ele não pode fazer nada sobre isso, é assim que é...
Este é o Destino
Esses são os desafios
Ele é um homem corajoso
Ele deve assinar
Ou morrer.
1949.
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