sexta-feira, 19 de abril de 2013

Abujamra - O Grande Absurdo

Abujamra recita Céline: "O grande cansaço da existência talvez seja apenas o mal que causamos a nós mesmos para nos mantermos razoáveis por vinte anos, quarenta anos ou mais, ao invés de sermos simplesmente nós mesmos, isto é: atrozes e absurdos."

A Lenda do Rei Krogold (excerto de Morte à Crédito) [1/2]

Minha história não tinha ganho nada com o tempo. Depois de anos de esquecimento, uma obra de imaginação não passa de uma festa antiquada... Afinal, Gustin ia me dar sua opinião sincera e imparcial. Fui logo fazendo com que ele entrasse na atmosfera da lenda.

- Gustin, você nem sempre foi o boçal que é hoje, endurecido pelas circunstâncias, pela profissão, pela bebida e pela necessidade de aceitar tanta coisa ruim... deixar o coração e o pau pulsarem com mais força, ouvindo uma epopéia, trágica, naturalmente, mas nobre... brilhante!... Você ainda é capaz disso?...

Gustin deixou-se ficar, no banquinho, sonolento, diante das amostras e do armário escancarado... Sem dar um pio... não queria me interromper...
- Eu tinha avisado que se tratava de Givendor o Magnífico, Príncipe da Critiânia... Chegamos... Agora mesmo, enquanto eu falo com você, ele está agonizando... O sangue escorre de vinte feridas...

O exército de Givendor acaba de sofrer uma derrota tremenda... O próprio rei Krogold, durante a luta, encontrou Givendor... Golpeou-o de alto a baixo... Krogold não perdoa... Faz justiça por suas próprias mãos... Givendor traiu... A morte se abate sobre Givendor e vai terminar sua tarefa...
"O tumulto do combate esmorece com os derradeiros clarões do dia... Desaparecem ao longe os últimos guardas do Rei Krogold. Na sombra levantam-se os estertores da imensa agonia de todo um exército... Vitoriosos e vencidos entregam a alma como podem... O silêncio abafa pouco a pouco os gritos e gemidos, cada vez mais fracos, cada vez mais raros... Esmagado sob um monte de correligionários, Givendor o Magnífico esvai-se em sangue... De madrugada a morte chega perto dele.
- Compreendeste Givendor?
- Compreendi, oh Morte! Compreendi desde o começo deste dia... Senti no coração, no meu braço, nos olhos de meus amigos, até no passo de meu cavalo, uma espécie de sortilégio triste e lento que se assemelhava ao sono... Minha estrela se apagava entre tuas mãos geladas! Tudo começou a fugir! Oh Morte! Que remorsos! Sinto uma vergonha imensa!... Olha esses pobres corpos!... nem uma eternidade de silêncio pode acalmá-la!...
- Não há paz neste mundo, Givendor! Só lendas! Todos os reinos acabam num sonho!...
- Oh Morte! Deixa-me viver um pouco mais... um dia ou dois! Quero saber quem me traiu...
- Tudo é traição, Givendor... As paixões não são de ninguém, o amor, principalmente, é só uma flor de vida no jardim da juventude.

E a morte, devagarinho, segura o príncipe... Ele não se defende mais... Ficou leve, sem peso... E depois um lindo sonho se apodera de sua alma... O sonho que sempre, quando era pequeno, no seu berço de peles, no quarto dos Herdeiros, perto de sua ama morávia, no Castelo do Rei René..."
Gustin tinha deixado as mãos caírem entre os joelhos...

Estava desconfiado. Não queria voltar à juventude. Defendia-se. Quis que eu explicasse tudo... por quê?... como?... Não é fácil... É frágil como uma borboleta. Por qualquer coisa se desmancha, suja as mãos. O que é que se ganha com isso? Não insisti.

Para organizar bem a trama da minha Lenda eu poderia documentar-me com pessoas finas,,, acostumadas aos sentimentos... às mil variantes das tonalidades do amor...
Mas prefiro resolver tudo sozinho. O meu problema é o sono. Se eu conseguisse sempre dormir bem, nunca teria escrito uma linha.
Muitas vezes as pessoas refinadas nada mais são do que gente que não pode gozar. É uma simples questão de disciplina. Essas coisas não se perdoam. Mesmo assim, vou descrever o castelo do Rei Krogold:

"... Um monstro tremendo no âmago da floresta , uma massa, acachapada, esmagadora, cortada no rochedo... formada de cloacas, cornijas carregadas de frisos e saliências... de outras torres... De longe, lá do lado do mar... as copas da floresta ondulam e vêm bater no sopé das primeiras muralhas...
A sentinela que arregala os olhos com medo da forca... Mais alto... Bem no alto... No topo de Morehande, a Torre do Tesouro, o Estandarte tatala na tormenta... Leva as armas reais. Uma serpente com a cabeça cortada e o pescoço escorrendo sangue! Malditos os traidores! Givendor está expiando seu crime!..."

Gustin não aguentava mais. Estava cochilando... chegava a roncar. Virei-me para fechar o armário de remédios e lhe disse: "Vamos embora! Vamos dar um passeio pelo Sena!... Vai-te fazer bem..." Ele preferia não ter que se mexer... Afinal, como eu insisto, ele resolve. Proponho um cafezinho do outro lado da "Île aux Chiens"... Lá, apesar do café, ele torna a adormecer. Já devem ser quatro horas, é o momento em que sonham os botequins... Há três flores artificiais no vaso de lata. Tudo fica esquecido no cais. Até o velho bêbedo debruçado no balcão se convence de que a dona não vai mais escutar suas histórias. Eu deixo Gustin em paz. O próximo rebocador que passar vai acordá-lo, com certeza. O gato largou a velhota para vir lamber as patas.

quinta-feira, 28 de março de 2013

Carta d'África

Minha querida Simone,                       [29 de Outubro, 1916]

Já se passaram exatos dois anos desde o dia em que fui ferido. Lembro-me que, naquela época, não havia trincheira de comunicação entre a primeira linha de trincheiras e o posto de comando. Após o anoitecer você poderia ficar horas tateando até encontrar o posto de comando, já que naturalmente não havia iluminação para mostrar-lhe onde estava. 
Nós costumávamos chamar isso de "protegendo as vacas".
Eu estava "protegendo as vacas" quando o meu número foi chamado.
Hoje é domingo, e vou aproveitar para anunciar que detesto qualquer tipo de trabalho.
Nasci ocioso e adoro preguiça.
Eles alegam que o trabalho enobrece o homem, mas eu digo que o torna vil.
Correndo o risco de errar fora da amoralidade, eu proclamo que não sou obrigado a ganhar minha vida, eu gostaria de não fazer nenhuma maldita coisa, nada e nada.
Como é domingo, vou te recontar um pequeno conto que talvez você já conheça-
Um dia o Bom Deus estava andando pelos Bálcãs- Ele encontra um nativo que parecia um tanto ofendido- e pergunta "o que acontece, amigo?" -Silêncio-"Bem, eu lha darei o que você quiser e para provar que sou bom à todos, seus vizinhos receberão o dobro do que você pedir" - "Neste caso," disse o Bálcã, "me deixe cego de um olho".
Aí está você -E ainda, porque é domingo, vou lhe dar um pequeno problema para resolver. Você já deve ter sido convidada a resolvê-lo antes. Duas vacas num prado verde - uma delas é branca, magra, só pele e osso - A outra é negra, couro brilhante - gorda e radiante de saúde. De repente,a enraivecida e furiosa vaca branca pula na pobre, plácida vaca negra, e espeta com o chifre sua bunda. E agora, qual das vacas poderá dizer "eu tenho chifres na bunda"?

Destouches.

sábado, 16 de março de 2013

Poemas de Céline [2]

Retorno

1

Encontrarei você, fedendo como um pedaço de carne
numa vil noite
Eu farei dois buracos profundos negros
em sua face
Sua alma miserável irá escapar
pelo ar!
Você verá uma fina multidão lá!
Você verá como nós dançamos!
No Grande Cemitério des Bons Enfants!

Refrão:

Mas aqui está a tia Hortense
e sua pequena Léo!
Aqui está Clementine e o valente Toto!
deveriam nossos amigos anunciar
que a festa acabou?

Para o diabo com o seu jeito!
Se esconda! Fodido do cu!
Não importa para mim
Ó vigaristas! Vocês ladrões!
o vento irá levá-lo longe
como as preocupações e a morte partem!

2

Por um longo tempo agora você se queixará
porque você é um corno!
E eu que sou o punk responsável
pelos seus defeitos!
Então não vá estragar esta ocasião
ao ser aliviada
Venha comigo e sinta o gume de meu punhal
Para as grandes Ruínas de St. Mandé!

3

Todos sabem que você é um podre delator!
Que você fecha acordos de rato para porcos
como Houdini!
Foi assim que Mimile caiu
no cesto da guilhotina
Eu lhe darei um bilhete só de ida para longe daqui
direto em seu lombo!

4

Olhando para você Eu vejo
uma questão que está me devorando
Você será mais imundo
Morto ou Vivo?
E você repulsará os vermes
ainda mais ao solo?
Mas se você for estrangulado na fogueira
Então eu enfrentarei Mimile!
no Grande Cemitério des Bons Enfants!

(da "versão definitiva", 1956)


Katika (primeira possibilidade)

Eu amo Katika, a prostituta
Ela que não ama a manhã
Nem meu coração fiel, nem minhas rosas
no alvorecer cinzento e derramado.

Quando Katika se tornar corcunda
pelo fato de vender seu cu
Nós iremos às cidadelas para ver
o sino três vezes maior que ela

Que alguém toca toda a manhã
Para acordar as putas
Da Irlanda para os Dardanelles.
Grande Batalha, Parcos Espólios.

Katika (segunda possibilidade)

Eu amo Katika, a prostituta
Ela que não ama a manhã
Nem meu coração fiel ou minhas rosas
no alvorecer cinzento que precede a tempestade.

Quando Katika se tornar corcunda
pelo fato de vender seu cu
Nós iremos às cidadelas para ver
mendigos três vezes maiores que ela

Que nós repeliremos aos berros todas as manhãs
Para acordar as putas
Da Irlanda para os Dardanelles.
Grande Batalha, Pequena Recompensa.

(ambos os poemas são de um fac-simíle de um texto enviado para Henri Mahé, 1936)

quinta-feira, 7 de março de 2013

Carta para o Jornal Combat

Sirrah, senhor! Aposto que os Dardanelos desse puto do "Inventias"[sic] nunca leram uma linha de um dos meus livros! O que todo seu balbuciar quer dizer? O que eu tenho em comum com Sade, Sartre, Milner ou o Papa? Será que esse imbecil sabe algo sobre eles? Ele já leu eles? Eu acho que não. Ele pode escrever? Certamente não. Ele murmura coisas sem pé nem cabeça, escreve Deus sabe o que! Ele é pago! Ele confunde tudo, não entende nada, joga tudo para fora de uma maneira estúpida, cascas, e aqui estamos nós.  Só de pensar que grandes impérios empregam esse tipo de besta... E como deveria ser com os mais importantes? Eu gostaria de falar sobre todas essas coisas tristes com o Dr. Braun ou Mr. Sokoline, que eu conhecia bem... Eles ficariam embaraçados... Que idiotas aqueles crassos do 'Inventias" são! É assim que estamos com o existencialismo! Bang! Weez! Voltaire! Boom! A lua! Que confusão! Que vergonha!

Eu não me importo em fazer um outro leve esforço, que é um gesto de suprema bondade para os soviéticos, para corrigir um pequeno detalhe na História da Literatura Francesa para eles, aí então eles não mais zombarão disto. "Céline-o-literário-zero" irá ensiná-los (uma vez que eles não sabem nada, nem mesmo suas próprias preocupações, eles babam em-si mesmo!) que Viagem ao fim da Noite foi lançado através de um artigo publicado por Georges Altman e Henri Barbusse no seu Le Monde comunista em 1934. Os artigos de Daudet, Descaves ou Ajalbert só vieram mais "tarde". Eu, aliás, sempre tive relações muito cordiais com Altmann. Em segundo lugar, devo ensinar-lhes que Viagem foi totalmente traduzido pelos Soviéticos (nunca me perguntaram o que eu pensava sobre isto!) e que os tradutores eram nada menos que Elsa Triolet e seu marido Aragon - que não hesitou em retocar meu texto conforme as necessidades de sua propaganda.
Por acaso, os Soviéticos ainda me devem dinheiro por essa tradução. Antes de discutir com as pessoas seria uma boa ideia pagar-lhes a dívida pendente. Para começar! Não estão os "Investians" cientes que embora eu seja um "criminoso fascista", "todos os meu livros" foram "proibidos" na Alemanha após a chegada de Hitler e em todo o reinado Hitleriano? Será que eles conhecem o meu último editor "alemão" Julio Kittel, um judeu que fugiu para Marich-Ostrau, Morovia (1936)?
Tal estupidez desencoraja polêmicas e é fácil entender porque a palavras proferida está agora reservada às bombas, minas e o dilúvio!

                                                                         Com os melhores cumprimentos,
                                                                                         L.-F. Céline.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Cartas da África

1
                                                         [Liverpool, 6 ou 7 de Maio, 1916]

Queridos pais,


Após inúmeras dificuldades finalmente cheguei em Liverpool. Meu barco deverá sair daqui a três dias, o que me forçou a mandar este postal para vocês. A empresa pagará o postal depois de uns dias.

Eu ainda estou sobre pressão e mandarei notícias em breve.

Afetuosamente, Louis



2

                                                [Liverpool, tarde de domingo - Maio 7, 1916]     
Minha querida Simone,

Ser forçado a passar o domingo em Londres já é motivo suficiente para um desastre, mas rapidamente se torna uma catástrofe quando as circunstâncias o obrigam a passa-lo em Liverpool.  

Você nunca poderia imaginar um lugar tão repugnante, tão imundo e tão religioso.
No entanto, por volta das 6 horas da tarde, possivelmente pela alegria ansiosa de ver este dia chegar ao fim, as diferentes seitas Protestantes saíram de seus retiros, folhetos voando, circulando por todas as direções da cidade ao som de hinos, que, devido às circunstâncias, davam uma vaga sensação de marcha militar.
Eles, então, finalmente, se estabeleceram em diversas praças para continuar com mais ardor do que nunca o agradecimento ao Senhor por ter fodido todos nós.
Eu tenho sido indiferente para este tipo de manifestação, mas estes de Liverpool são bastante peculiares, devido ao incalculável número de estivadores que compõem o estoque antigo da população que esperam o bar abrir as 8:30h e então matam a sede ao som de música sacra.
Verdadeiros profissionais, eles se espalham entre os crentes, contribuindo consideravelmente para a ressonância se não pela piedade - eu vi um, logo atrás de mim, que avidamente iniciou um Hino à Virgem no qual as virtudes físicas e morais desta eram repetidamente louvadas e então apareceu o adjetivo "bela", que ofereceu a oportunidade de sublinhar a palavra ao contemplar uma mulher perto dele, que parecia ter bastante conteúdo para apropriar-se dos atributos originais destinados para a mãe de Deus - que, como você pode ver, constitui um sentido ambíguo e angustiante.

                                Seu sincero,

 Des Touches

3

[Telegrama aos pais]                                              [Liverpool, quarta-feira, Maio - 10, 1916]

Embarco hoje: Destouches.



                                                            Serra Leoa [ Freetown, 25 de Maio, 1916]
Querido Pai,   

Nos últimos três dias eu fui pego por uma febre violenta - envie de minha conta-poupança 1.000 francos. Trabalharei com qualquer coisa em Paris para te pagar de volta, mas eu não posso ficar aqui, eu ainda estou em Duala. Escreva-me.

Afetuosamente,  Louis

C.F.S.O. Duala- 

5

[Cartão postal para seu pai] [Freetown, 27 de maio, 1916]

Não diga nada à mãe. Irei mandar outro cartão postal para casa.
Essa febre violenta. Envie dinheiro para minha conta no Banco da África Equatorial. Não tocarei no dinheiro se conseguir aguentar. Perdoe-me, não é minha culpa. Dois mortos a bordo.

Louis

6

[Cartão postal para seu pai] [Freetown, 27 de maio, 1916]

Terrível calor.

Louis

7

[Cartão postal para seu pai] [Freetown, 27 de maio, 1916]

-está muito calor
Um cruzamento muito ruim
Com amor,

Louis

8

[Cartão postal para seu pai] [Freetown, 27 de maio, 1916]

Em quarentena.

L Des Touches.

9

[Cartão postal para Simone Saintu]    [Freetown]

Estamos em quarentena.
Inferno.
Melhores votos,

Louis-

10

                                            [S.S. Accra-Lagos, 02 de junho de 1916]

Meu caro Milon-

A experiência é conclusiva - Absolutamente não há futuro aqui, e não por falta de oportunidade comercial mas como resultado das condições climatéricas que são pura e e simplesmente abomináveis - Os Europeus consomem uma variedade enorme de alimentos, em parte devido aos excessos, mas também pelas situação sanitária. Qualquer vida saudável é impossível e só apenas com o custo de sua saúde que se consegue fazer algo aqui - Eu mesmo sofri um ataque abrupto de febre em Serra Leoa e não irei durar muito na África... nós iremos para Duala amanhã. Lá ficarei um ou dois meses para reparar os aspectos onerosos desta pequena experiência, tanto quanto possível - Se coloque em meu lugar e me deixe saber como as coisas estão. Se você souber de alguma oportunidade em Paris não se esqueça de mim.
A região é excessivamente rica e, incontestavelmente aberta para um grande futuro. Não há esperança para quem quer manter sua saúde num estado tolerável. 
Nada mais triste do que os rostos amarelos destes colonialistas. Apáticos, parecem consumidos pelos destroços de uma febre triste - e a vida lentamente os engole, como se fossem absorvidos por um sol que afoga tudo e infalivelmente mata tudo que tenta resistir.
Escreva para mim logo, não para a minha casa mas no endereço abaixo.

Louis des Touches 
     Elder Dempster Agency 
     Duala (Camerões) 
     África


11

[Cartão postal para seu pai]                  [Lagos, 5 de Junho, 1916]

Deixando Duala, me sentindo um pouco melhor agora - ainda está muito quente

Louis-

12

[Cartão postal para Simone Saintu]             [Lagos, 5 de junho, 1916]

Não é belo. Triste.

Louis-




sábado, 23 de fevereiro de 2013

Férias assaltadas, por Céline



Eu posso ver o clown em "O Gangster que pula fora". Eu sei muito pouco sobre ele, mas ele me parece estar bem apropriado para o trabalho.

Um fiscal de impostos vê uma montanha de dinheiro de passagem: ele está apaixonado... ele é desprezado...
isso o desagrada... Ele vai para o Hipódromo. Ele perde... ele vai para o cinema... ele vê Chicago... ele espera pelas férias...  "Férias assaltadas"... é como eu chamo. E lá vai ele, pela estrada... ele alugou um Rosengart, 1.500 francos por mês... Ele vai parar algumas limousines... eles irão saber o que ele quer... eles oferecem ajuda... eles percebem... para a Trou-Le-Ville. No Cassino, ele perde o controle. Ele tenta apostar a casa num jogo de baralho... mas ele parece muito honesto... eles se recusam a deixá-lo para trás, lá dentro... ele rouba um cone de sorvete de morango... ele é profundo... Etc, etc. Ele termina com honestidade... impostos. Então, seu tio morre. Está tudo arranjado. Ele vai comprar o Rosengart em dezoito parcelas.

Mas eu, eu não tenho o necessário. Ainda assim, esse é o caminho a percorrer.